Todos os dias, um sem-abrigo invisual pedia esmolas para sobreviver. Chegava de manhã muito cedo e posicionava o seguinte cartaz “Por favor, ajude-me com uma esmola”, sentava-se e aguardava. Invariavelmente, ao final de cada dia, o dinheiro que conseguia reunir era muito pouco. Um dia, um publicitário que por ali costumava passar resolveu ajudar substituindo o cartaz pelo seguinte “Hoje está um lindo dia de sol e eu não o consigo ver”. Funcionou! O valor das esmolas aumentou.

Comunicar é a materialização do pensamento em signos conhecidos pelas partes envolvidas. Poderíamos então afirmar que, para uma mensagem ser percecionada, efetiva e eficaz bastará que emissor e recetor usem os mesmos códigos. Ora, a expressão bem portuguesa “entrou a 100 e saiu a 200” ilustra bem, através da sabedoria popular, que uma mensagem poderá ser transmitida, sem que isso signifique qualquer alteração no recetor.

Uma comunicação eficaz liga-nos ao Outro através de uma empatia que vai muito além dos códigos formais, sendo sob o Emissor – quem gera o processo e toma a iniciativa – que pesa a grande responsabilidade no processo de comunicação. Conseguir comunicar com eficácia é, talvez, a mais importante competência que podemos possuir quer em termos pessoais, quer profissionais.

Veja-se o incontornável discurso “Eu Tenho um Sonho” (I Have a Dream) de Martin Luther King no dia 28 de agosto de 1963, nas escadarias do Lincoln Memorial, em Washington. Na introdução, King evoca a Constituição e a Declaração da Independência, conferindo assim ao seu discurso contexto histórico e credibilidade. Já na parte final utiliza referências da Bíblia e de canções patrióticas, apelando assim às emoções da audiência. É este balanço tão bem equilibrado entre a componente intelectual, sólida e a componente emocional, que faz do seu discurso um discurso memorável. Tal como King, qualquer comunicador eficaz procura este equilíbrio para conseguir criar a empatia necessária com a sua audiência. E conseguida essa empatia, o resto é conversa!

Mas como se consegue este equilíbrio? A não ser que se tenha nascido com a capacidade inata para comunicar eficazmente – sim, existem alguns natural-born  communicators  – a maioria de nós, simples mortais,  treina, treina e treina ainda mais para conseguir comunicar eficazmente e parecer, aos olhos da sua audiência, um natural-born communicator . Quantas vezes se ouve, perante um discurso eficaz, “Adorava ser assim, aquilo sai-lhe naturalmente e faz todo o sentido”. Pois é… só que não. Na grande maioria, a eficácia de um discurso revela um comunicador treinado e não um comunicador inato.

E qual o ginásio para se tornar (parecer) um natural-born communicator? A resposta éToastmasters. Uma organização internacional sem fins lucrativos dedicada à melhoria das competências de comunicação e de liderança, através de clubes disseminados a nível mundial. Os membros destes clubes aprendem a arte de comunicar em público através da aprendizagem contínua, compreensão e solidariedade mútua entre os seus membros. Em Portugal existem vários clubes, com características e ADN’s distintos mas que comungam do mesmo principio – o seu discurso seguinte será sempre melhor que o anterior! E como o publicitário do início deste texto, os membros do Clube PMI Portugal Toastmasters aqui estarão para o ajudar. Saiba mais em https://www.pmiportugaltoastmasters.com/  e apareça numa das nossas sessões. Toast!

Maria Teixeira

Membro fundadora do Clube PMI Portugal Toastmasters

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